Abilio Brunini, prefeito de Cuiabá, anunciou que irá propor um projeto de lei à Câmara Municipal para estabelecer o serviço de Família Acolhedora na cidade. O objetivo do programa é proporcionar um abrigo temporário para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, oferecendo um ambiente mais receptivo enquanto esperam uma decisão judicial sobre seu destino.
O acordo foi estabelecido durante um encontro no gabinete do prefeito com a juíza da Vara da Infância e Juventude de Cuiabá, Gleide Bispo, o procurador do Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), Paulo Prado, e a promotora Daniele Crema da Rocha de Souza. O procurador municipal, Luiz Antônio Araújo Júnior, e a vice-prefeita e secretária de Assistência Social, Vânia Garcia Rosa, também estiveram envolvidos nas negociações.
Brunini enfatizou a relevância do projeto como uma opção para aliviar a pressão nas casas-lares, que atualmente lidam com uma demanda elevada. Vamos colocar em prática a legislação da Família Acolhedora. Sou grato à Dra. Gleide, ao Ministério Público do Estado e a todos que participaram desta reunião. Desejo, nos próximos 30 dias, validar este projeto e iniciar sua implementação. "Este é um projeto notável, que assegurará apoio às crianças que passam por momentos desafiadores", declarou.
Gleide Bispo, juíza, destacou que o projeto representará um progresso no modelo de acolhimento de crianças em situação de risco. Vamos começar com aproximadamente 30 crianças ou jovens. Gradualmente, abandonaremos o padrão único de casas-lares para incorporar a Família Acolhedora. Isso implica uma economia para a cidade e, sobretudo, um atendimento de maior qualidade. Nas instituições de acolhimento, a previsão é de até 12 crianças por unidade, porém atualmente temos aproximadamente 20 em cada uma. Com a Família Acolhedora, cada criança será acolhida como integrante de uma família, minimizando prejuízos psicológicos e assegurando um crescimento mais equilibrado", destacou.
Já o procurador Paulo Prado reforçou que a medida não substitui as casas-lares, mas oferece mais uma opção para garantir um ambiente adequado para cada criança. "O desafio agora é orientar a população e atrair famílias interessadas em acolher temporariamente essas crianças. Elas precisarão passar por entrevistas e acompanhamento do Poder Judiciário, do Ministério Público e da equipe social da Prefeitura. Hoje foi um dia histórico. Saímos desta reunião confiantes de que as crianças de Cuiabá terão mais oportunidades de um acolhimento digno e amoroso", concluiu.
O programa Família Acolhedora visa assegurar que crianças e adolescentes desalojados por decisão judicial sejam temporariamente alojados em lares substitutos, ao invés de serem enviados para abrigos institucionais. As famílias receptivas são selecionadas e monitoradas tecnicamente, recebendo orientação e apoio para assegurar a melhor assistência às crianças.