02 de Abril de 2025, 08h:01 - A | A

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Apuração

PF investiga funcionários do Santander e Itaú por fraude na Americanas



A Polícia Federal (PF) vai apurar se empregados de grandes instituições financeiras estiveram envolvidos no esquema que causou um prejuízo superior a R$ 20 bilhões na Americanas.

Fabio Abrate, ex-diretor financeiro e de Relações com Investidores da Americanas, é um dos principais alvos da nova investigação da Polícia Federal.

Na segunda-feira (31/3), fundamentado na primeira investigação realizada pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra 13 ex-dirigentes e ex-empregados da Americanas por supostas irregularidades na empresa.

Pelo menos dois bancos, Santander e Itaú, estão sob vigilância. Inicialmente, os bancos não serão alvo de investigação, mas sim os seus funcionários.

Abrate firmou um acordo de colaboração premiada, apontando a participação de empregados de grandes instituições financeiras em ações que levaram à fraude contábil de bilhões de dólares.

Segundo o delator, tanto os empregados dos bancos quanto os diretores da Americanas agiram deliberadamente para esconder do balanço da companhia as dívidas decorrentes do risco sacado.

A operação de risco sacado é comum em empresas de varejo, onde se contrai um empréstimo junto a um banco para quitar as dívidas com o fornecedor.

Portanto, a empresa adquire melhores condições para administrar seu fluxo de caixa. A fraude nas Americanas se baseava em inserir essa informação de forma errônea no balanço.

De acordo com Abrate, isso só seria viável graças ao conhecimento dos colaboradores dos bancos. Se esses colaboradores não tivessem dado seu consentimento, a dívida relacionada ao risco sacado teria surgido muito antes do estouro do prejuízo de bilhões na Americanas.

Na apuração realizada pela Polícia Federal, que culminou na acusação do Ministério Público Federal contra 13 ex-diretores da Americanas, já existiam conversas em um grupo que evidenciavam a interação de Abrate com colaboradores do Itaú e do Santander.

Devido a essas conversas, a Polícia Federal declarou que a "coragem do grupo criminoso" composto por ex-diretores da Americanas era "tamanha" que eles conseguiram cooptar empregados dos dois bancos.

"Os diretores da Americanas eram capazes de recrutar funcionários bancários para modificar as circularizações, a fim de ocultar as operações de Risco Saco, assegurando, assim, a continuidade das fraudes contábeis e a não detecção pelas auditorias", declarou a Polícia Federal, ao solicitar buscas e detenções de envolvidos no caso.

"No exemplo apresentado, as cartas circulares originais confirmaram as operações de risco sacado realizadas pelos bancos Itaú e Santander para o Grupo Americanas. No entanto, como essas operações não estavam oficialmente registradas nos balanços, que eram falsificados, com valores inverídicos, as cartas circulares não podiam mencionar tais operações, sob o risco de serem identificadas pelas auditorias", afirmou a Polícia Federal.

Em comunicado, o Santander declarou que não tem "controle, supervisão ou responsabilidade sobre as demonstrações financeiras da Americanas".

Em um fato relevante de 13/6/2023, a própria empresa revelou que as demonstrações financeiras foram manipuladas pela gestão anterior. A nota afirma que o banco sempre comunicou os saldos das operações da empresa nas cartas de circularização e ao Sistema Central de Risco do Banco Central, que é um dos possíveis meios de auditoria.

Portanto, o Santander rejeita qualquer alegação que contrarie a integridade e a correção na sua relação com a empresa, reafirmando que também foi vítima de fraudes.

Por meio de um comunicado, o Itaú Unibanco negou "qualquer envolvimento, seja direto ou indireto, na fraude contábil sofrida pela Americanas".

"O banco sempre forneceu às auditorias e autoridades reguladoras informações precisas e completas sobre as operações realizadas pela companhia, em conformidade com a legislação em vigor e as melhores práticas de mercado", afirma o banco.

Segundo o Itaú, os relatórios enviados para as auditorias "sempre indicavam a presença de operações de risco sacado e a exposição de crédito da empresa aos fornecedores".

Em sua declaração, o ex-diretor Fabio Abrate admitiu que os diretores da Americanas trabalharam com representantes do Itaú para remover os alertas. Segundo Abrate, o banco nunca aceitou esse pedido e, ao contrário do que foi informado, manteve o texto que indicava a exposição da empresa ao risco sacado.

De acordo com a entidade, as operações de risco sacado foram suspensas durante seis meses devido aos problemas na Americanas.