Desde 25 de março, a comunidade Munduruku está bloqueando um dos principais pontos logísticos do agronegócio no Brasil. Os indígenas estão impedindo a entrada de caminhões carregados de soja vindos do Mato Grosso no porto do rio Tapajós, localizado em Itaituba, no sudoeste do Pará.
Eles se reúnem na BR-230, conhecida como Transamazônica, perto da interseção com a BR-163, a rodovia que transporta soja.
A manifestação é uma retaliação à lei que estabelece o marco temporal e à mesa de conciliação instaurada pelo Supremo Tribunal Federal, que já havia considerado tal conceito inconstitucional.
Os indígenas solicitam a revogação da legislação, a qual se referem como "lei da morte" e "lei do genocídio indígena". Além disso, pedem o encerramento da mesa de negociações, onde afirmam não se sentir devidamente representados.
O local da manifestação foi estrategicamente escolhido, pois é a principal via por onde a soja do Centro-Oeste é transportada para os portos do Tapajós. Ao bloquear essa rota, os Munduruku destacam a ferida: a prioridade que o governo brasileiro atribui ao agronegócio em detrimento dos direitos constitucionais das populações nativas e da proteção das florestas.
A mobilização teve um início pacífico, envolvendo mulheres, crianças e idosos. As ambulâncias, os animais vivos e os serviços de emergência foram autorizados a passar.
No entanto, os indígenas enfrentaram ataques por parte dos caminhoneiros, que inicialmente usaram ofensas verbais, seguido pelo lançamento de pedras, e, nos últimos dias, disparos de armas.