01 de Abril de 2025, 17h:05 - A | A

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reajustes na remuneração

Greve dos entregadores persiste após reunião fracassada com o iFood



A paralisação dos motoristas de aplicativo, que começou na segunda-feira (31/3), prossegue em São Paulo nesta terça-feira (1º/4). O movimento, que envolve uma greve nacional de dois dias, tem como objetivo aprimorar as condições de trabalho e pedir aumentos nos salários dos serviços de entrega.

Hoje, motoboys protestaram com buzinas e faixas em frente ao Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo. Além disso, serviços de entrega foram paralisados em áreas como o ABC, e novos protestos são aguardados na Avenida Paulista.

Vídeos feitos por manifestantes mostram os entregadores pedindo a suspensão de pedidos pelos estabelecimentos e a interrupção das entregas. O grupo esteve na sede do iFood, em Osasco, onde exigiram melhores condições de trabalho.

Junior Ferreira, representante da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativo (ANEA), relatou que a reunião com o iFood não resultou em avanços. “Infelizmente, eles (iFood) não ofereceram nada. Disseram que estariam abertos ao diálogo, mas sem compromissos concretos. A proposta está na mesa deles há mais de um mês, mas não obtivemos resposta”, explicou o motoboy.

As principais exigências do movimento incluem a definição de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, aumento no valor pago por quilômetro (de R$ 1,50 para R$ 2,50), limitação de entregas por bicicleta a um raio de 3km, e a garantia de pagamento por todos os pedidos, incluindo entregas agrupadas.

Expectativas sobre a manifestação Em entrevista ao Metrópoles, a advogada trabalhista Laís Amanda, do escritório AVJ Advogados, destacou que a greve pode não gerar grandes resultados devido à falta de representação sindical da categoria. “Como os entregadores de aplicativos não têm representação sindical e o trabalho não é formalizado, há pouca margem para negociação com os aplicativos, o que pode resultar na manutenção das taxas atuais”, afirmou.

Laís também alertou para possíveis impactos negativos aos consumidores. “A diminuição do número de entregadores pode afetar diretamente a qualidade do serviço, prejudicando os consumidores com a falta de entregas.”

Posicionamento do iFood Em resposta, o iFood informou, por meio de uma nota oficial, que se reuniu com nove representantes do movimento no dia 31/3 para discutir as demandas. A empresa reafirmou sua abertura ao diálogo e prometeu retornar com respostas às lideranças do movimento.

O iFood destacou que, nos últimos três anos, os ganhos dos entregadores aumentaram, incluindo ajustes no valor mínimo da rota e no valor do quilômetro rodado em 2022 e 2023.

Através do perfil no Instagram "Breque Nacional dos Apps", trabalhadores de todo o Brasil continuam a mobilização em apoio à paralisação, aguardando novos posicionamentos do iFood sobre as reivindicações.